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Nesse espaço você encontrará temas biblicos reformados para seu maior enriquecimento teológico e espiritual, assuntos para pregação biblica e cristocêntrica e também saberá mais sobre minha cosmovisão!!!......aproveite!!

quarta-feira, 25 de março de 2009

União Pelo Caminho Da Bíblia


A. J. Holiday (escrito em 1890)

Recentemente, o Sr. Spurgeon disse as seguintes palavras durante uma palestra: “Eu penso que é pelo caminho da Bíblia que todos os cristãos poderão se unir. Nenhum de nós gosta das divisões do cristianismo. Acabaríamos com elas, se pudéssemos, mas não sabemos como. Todos os planos que eu já tenho visto só conseguiram um êxito parcial. Mas quando todos nós nos voltarmos à Palavra de Deus, e cada um disser: 'Pronto, eu retirarei qualquer palavra que eu tenha dito que não esteja de acordo com o espírito deste Livro', então iremos todos nos unir.” Estas são, sem dúvida, palavras muito sugestivas, e seria proveitoso considerar alguns dos pontos que elas destacam.

O Sr. Spurgeon disse que ele pensa que é pelo caminho da Bíblia que todos os cristãos poderão se unir. E ele também parece perceber que, para que tal união aconteça, pelo caminho da Bíblia, todos terão que testar suas palavras e seus métodos pelas Escrituras, abandonando tudo que não estiver de acordo com elas. Certamente, seria impossível obter uma união santa por qualquer outro meio. Mas se é isto que cada um deve fazer para conseguir esta união, então todos são responsáveis; não simplesmente para poder alcançar a unidade, mas porque esta é a vontade de Deus para nós. E isto nos traz a um princípio muito importante, mas um que, lamentavelmente, é geralmente esquecido.

Uma ilustração simples poderá nos ajudar a entender este princípio. Um pai, que irá se ausentar de casa por algumas horas, dá duas instruções para os seus seis filhos. A primeira é que todos devem brincar juntos, e a segunda é que não devem passar do portão da casa para fora. Ele enfatiza a primeira instrução, lembrando-lhes como ele se entristece quando eles discutem e se desentendem, e rogando-lhes para que amem uns aos outros, como convém a irmãos e irmãs. Ele não fala muito sobre a segunda ordem, mas simplesmente diz que não devem sair da casa e do quintal. Depois que o pai sai, um dos filhos decide que quer dar uma volta. Os outros o advertem, mas ele não escuta. Depois de algum tempo, ele volta, com histórias atraentes do prazer que ele experimentou, e consegue convencer mais dois a irem com ele. Mais tarde, outros dois se unem aos três filhos desobedientes, e só um fica em casa. Os outro cinco se esforçam para levarem este último também. “Você não lembra”, eles falam, “o quanto que papai nos exortou para que ficássemos juntos?” “Sim”, ele responde, “eu lembro, mas ele também nos disse para não sairmos de casa. Eu gostaria que estivéssemos todos juntos, pois é muito triste ficar sozinho; mas, se quisermos obedecer ao papai, teremos que ficar aonde ele mandou”. “Ah, mas você está se esquecendo”, eles insistem, “o quanto ele frisou que devemos ficar juntos, e só uma vez ele disse que não deveríamos sair de casa. Não pode haver muito mal em sairmos, conquanto que todos nós fiquemos juntos, porque era isto que papai mais queria”.

Será que alguém seria iludido com este tipo de argumento? Se perguntarmos quem foi o mais obediente, a resposta é clara. Aquele que ficou em casa foi o único filho obediente, e ele obedeceu a ambos os mandamentos, apesar de estar sozinho. Dizemos que ele obedeceu a ambos os mandamentos porque ele ficou aonde seu pai mandou que ficasse, e estava disposto a se unir alegremente com os outros ali.

O princípio, então, que queremos destacar, é que Deus exige nossa obediência individual aos Seus mandamentos, mesmo que outros não estejam obedecendo; e que, quando um mandamento é dirigido aos santos coletivamente, para que obedeçam juntos, aqueles que estão dispostos a seguir este mandamento da maneira como Deus o deu são verdadeiramente obedientes, mesmo que, devido à recusa de outros em se unirem à eles, seja impossível executar, na prática, este mandamento.

Nos dias de Oséias, Deus ainda queria que as doze tribos de Israel subissem a Jerusalém para adorar, assim como nos dias de Davi e Salomão; mas as dez tribos que haviam se rebelado, com Jeroboão, preferiram ir a Dã e Betel, e recusaram se unir com Judá e Benjamim. Mas este fato não alterou, de maneira alguma, o que Deus esperava daqueles que eram fiéis à Sua palavra. Deus tinha dito que todos deveriam estar juntos, é verdade, mas deveriam estar juntos no lugar que Deus havia escolhido para por o Seu nome. Ajuntar em qualquer lugar de sua própria escolha seria plena desobediência, ao passo que aqueles que foram ao lugar determinado por Deus, e estavam dispostos, ali, a adorar na companhia de qualquer outro que também estivesse ali, estavam cumprindo o mandamento de Deus, independentemente da atitude dos outros. Por isso encontramos o profeta dizendo: “Efraim me cercou com mentira, e a casa de Israel com engano; mas Judá ainda domina com Deus, e com os santos está fiel” (Oséias 11:12).

Mas vamos continuar um pouco com nossa parábola. Imaginemos que o sexto filho tivesse seguido os outros cinco em sua desobediência, e que eles haviam se separado, saindo em pares. Dois foram ao bosque apanhar nozes, dois foram brincar no riacho, e dois foram para a montanha. Por algum tempo, estão tão ocupados com suas brincadeiras que nem percebem que estão desobedecendo. Mas, com o tempo, começam a perceber que nem tudo está bem. Aquilo que mais os incomoda é o fato de estarem todos separados ao invés de estarem unidos, e várias propostas são feitas. Cada grupo quer convencer os outros a se unirem a eles, mas, quando isto fracassa, começam a pensar em alguma coisa diferente, onde todos possam se unir. Finalmente, porém, um deles percebe que a única coisa que poderá uní-los e mantê-los unidos é uma obediência simples aos mandamentos de seu pai.

É justamente esta idéia que tem se formado em vários corações, além do Sr. Spurgeon: união pelo caminho da Bíblia. O filho que percebe isso tenta persuadir os outros que o caminho que devem seguir é retornar à casa de seu pai, e então terá sido resolvido, da única maneira possível, o problema de todos estarem juntos. Mas eles não estão preparados para isto, e qual deve ser a atitude daquele que vê o caminho correto? Será que ele deve parar onde está, ou voltar ao bosque com seu irmão, até que todos os outros estejam prontos a dizer: “Devemos comparar tudo com a palavra de nosso pai, e rejeitar qualquer coisa que for contrária à ela” ? Ou será que ele deve voltar imediatamente para casa? Quem pode duvidar que esta última alternativa é a única solução? Mas os outros poderão argumentar que ele só irá criar outra divisão. “Já estamos divididos em três grupos, e você quer fazer um quarto grupo? Justo você que está pregando sobre unidade!”

”A fim de que todos sejam um” foi a oração do Senhor Jesus, e é a vontade de Deus, pois toda oração do Filho estava em perfeita harmonia com a vontade do Pai. Mas antes destas palavras Ele havia dito: “Dei-lhes a Tua Palavra, … A Tua Palavra é a verdade. … E por eles me santifico a Mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade” (João 17:14,17,19) . A unidade deveria ser de acordo com a verdade.

Se fizermos da união nosso principal objetivo, iremos encontrar vários meios de conseguí-la, e poderemos até ter uma aparência de sucesso; mas não estaremos andando na verdade, e nada daquilo que alcançarmos terá relação com a oração do Senhor Jesus. Por outro lado, aqueles que estão realmente separados pela verdade, mesmo que esta separação seja, não só do mundo, mas também de irmãos que não estão seguindo a Palavra de Deus, estarão em harmonia com toda a oração registrada em João cap. 17.

A.J.Holiday, 1890 (traduzido e condensado por W.J.Watterson)

sábado, 14 de março de 2009

Uma oração verdadeira!!!!


Oração Franciscana

Que Deus te abençoe com um desconforto inquietante sobre as respostas fáceis, as meias verdades e as relações superficiais, para que possas buscar a verdade corajosa e viver profundamente em teu coração.

Que Deus te abençoe com sagrada raiva à injustiça, à opressão e à exploração de pessoas, para que possas trabalhar incansavelmente pela justiça, liberdade e paz entre todas as pessoas.

Que Deus te abençoe com o Dom de lágrimas para derramá-las com aqueles que sofrem de dor, rejeição, fome ou a perda de tudo aquilo que eles amam, para que possas estender a mão para lhes dar conforto e transformar a sua dor em alegria.

Que Deus te abençoe com a suficiente loucura para que creias que realmente podes fazer diferença neste mundo, para que possas com a graça de Deus, fazer aquilo que os demais insistem ser impossível.

E que a benção de Deus, Suprema Majestade e nosso Criador, Jesus Cristo a Palavra encarnada que é o nosso irmão e Redentor, e o Espírito Santo, o nosso Advogado e Guia, seja contigo e permaneça contigo e com todos, hoje e para sempre. Amém.

Fonte: http://pulpitocristao.blogspot.com/search/label/Do%20P%C3%BAlpito , apud Nada de novo sob o Sol.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ética Cristã: Dez conselhos para Cristãos


Estamos vivendo dias indubitavelmente difíceis e trabalhosos, mas segundo meu parecer uma das principais caracteristicas malignas que está "empregnada" no meio do povo dito cristão é a covardia, e passeando eu por alguns blogs reformados, achei essa postagem bastante interessante e resolvi publica-la tambem em meu blog. Quando digo que é uma das principais, digo porque muitas vezes já fui pego por mim mesmo agindo covardemente, mas pela graça de Deus tem me tranformado!!. Ai vai!! espero que os verdadeiros "protestantes" que lerem esta postagem, assim como eu reconheçam que precisam pedir a Deus mais coragem para enfrentar todo tipo de Hipocrisia e injustiça no meio do povo de Deus, pois quando a biblia diz que os timidos não herdaram o reino de Deus, ela fala não daqueles de temperamento introvertido, pois Jesus jamais deixaria de salvar alguem simplismente por causa de seu temperamento. Esta palavra no grego original seria melhor traduzida por "covardes" pois estes sim nao são (biblicamente) dignos do Reino dos céus!!


Muito embora Jesus tenha denominado o Rei Herodes de “raposa” ─, não convém ao crente assim proceder. Devemos dispensar o melhor tratamento às autoridades, mesmo que elas tenham, às vezes, condutas irregulares e hipócritas. Está escrito: “Toda autoridade provém de Deus”.

Muito embora Jesus tenha cognominado de “sepulcros caiados” aos homens da Lei que estavam sentados na cadeira de Moisés ─, não é conveniente ao cristão assim o fazer. A boa ética manda que o crente tenha sabedoria e controle emocional, a fim de que não caia na tentação de detratar as pessoas.

Muito embora Jesus não tenha encontrado onde repousar a cabeça ─, não é conveniente ao crente está falando mal das autoridades religiosas que enriqueceram graças aos seus extraordinários dons. As mansões, os carrões, as chácaras e o mar de riquezas que essas autoridades possuem, são frutos do seu honesto trabalho. Está escrito: “Todo obreiro é digno do seu salário”.

Muito embora Jesus em sua missão, tenha ido buscar pessoas para serem discipuladas “extra-muros” do Templo ─, não é de boa norma o crente organizar grupos para o ensino da palavra por aí afora. O Templo é o único local adequado para esse fim. Está escrito: “Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor”.

Muito embora Jesus tenha entrado no templo, armado de chicote para expulsar os poderosos que faziam da Casa de Deus uma “bolsa de valores” ─, não é conveniente ao crente de forma desastrada, assim se comportar. Está escrito: “Não é por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor”.

Muito embora Jesus tenha reprovado os religiosos de sua época, por adorarem os primeiros lugares nas sinagogas ─, não é ético para o cristão assim proceder. Em todas as igrejas, é de praxe que os primeiros assentos sejam destinados às autoridades eclesiásticas. Está escrito: “A quem honra, honra”.

Muito embora Jesus não tenha tomado uma atitude enérgica, quando os seus discípulos invadiram um roçado de milho alheio para saciar a fome num dia consagrado ao descanso ─, não convém ao crente assim proceder. Mesmo estando faminto, não ouse apanhar nada no roçado de alguém, sem autorização. Está escrito: “Pedi e dar-se-vos-á”. Portanto, basta dobrar os seus joelhos e orar.

Muito embora Jesus não tenha respondido a pergunta de Pilatos, sobre “o que era a verdade” ─, não convém ao crente, deselegantemente, silenciar diante da pergunta feita por uma autoridade. Peça a Deus sabedoria e Ele porá a palavra certa em sua boca. Está escrito: “Se estes se calarem, até as pedras clamarão”.

Muito embora Jesus tenha dito de forma pública que os escribas e fariseus, apesar de serem dizimistas, negligenciavam o mais importante, como a justiça, a misericórdia e a fé ─, é atitude reprovável e contrária à ética, o cristão expor aos quatro cantos do mundo uma simples falta (perdoável) dos seus superiores, ainda mais, se eles estiverem sentados na cadeira de Moisés. Está escrito: “E o oferecerá com a oferta sobre o altar, e assim o sacerdote fará expiação por ele, e será limpo”.

Muito embora Jesus tenha se posicionado contra os fariseus que enfrentavam todo tipo de obstáculos para fazer prosélitos, ocasião em que os denominou de duas vezes filhos do inferno ─, não é de bom alvitre o crente tomar tão irredutível atitude. Está escrito: “Mas que importa? Contanto que Cristo de qualquer modo, seja anunciado, ou por pretexto, ou por verdade..."


De acordo com esse manual legalista de "ética cristã", Jesus teria sido reprovado com nota zero. Mas, não custa nada perguntar:

Se Cristo viesse hoje com aquele verdadeiro e contudente discurso do capítulo 23 de Mateus, seria ou não seria, rotulado de “ANTIÉTICO” pelos donos do poder eclesiástico?

Jesus da-me Coragem!!!!

***
Fonte: Ensaios & Prosas

sexta-feira, 6 de março de 2009

Extremamente espetacular!!!!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

George Müller e as Doutrinas da Graça


George Müller e as Doutrinas da Graça

"Antes desse tempo (quando cheguei a respeitar a Bíblia somente como minha regra de fé) eu me opunha fortemente às doutrinas da eleição, redenção particular (também chamada de expiação limitada) e graça para perseverança até o fim. Agora, porém, fui levado a examinar essas verdades preciosas pela Palavra de Deus. Tendo sido levado a não procurar nenhuma glória própria na conversão de pecadores, mas tão somente a me considerar como um mero instrumento, e havendo sido disposto a aceitar o que as Escrituras dizem, eu me aproximei da Palavra, lendo o Novo testamento desde seu início, com referência em particular a essas verdades.

Para minha enorme surpresa, descobri que as passagens que falam diretamente sobre eleição e graça perseverante eram cerca de quatro vezes mais abundantes do que as que aparentemente falam contra essas verdades. E após breve tempo, até mesmo essas poucas passagens, uma vez que as havia examinado e compreendido, serviram para me confirmar as doutrinas referidas.

Quanto ao feito que minha crença nessas doutrinas teve em minha vida, sou constrangido a afirmar, para a glória de Deus, que embora seja ainda muito fraco, e de forma alguma tão morto para a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida quando deveria ser, ainda assim, pela graça de Deus, tenho andado ainda mais perto dEle desde esse período. Minha vida não tem sido tão inconstante e posso dizer que tenho vivido muito mais para Deus do que antes."

Cerca de quarenta anos após, em 1870, Müller falou a alguns novos crentes sobre a importância do que lhe ocorrera em Teignmouth. Disse ele que sua pregação havia sido infrutífera por quatro anos na Alemanha, de 1825 a 1829, mas então ele veio à Inglaterra e foi instruído nas Doutrinas da Graça.

"Pelo tempo de minha chegada a este país, agradou a Deus mostrar-me as Doutrinas da Graça, de um modo que eu não as percebi antes. A princípio, eu odiei: "se isso é verdade, não posso fazer nada para a conversão dos pecadores, visto que tudo depende de Deus e da obra do seu Espírito". Mas, quando aprouve a Deus revelar-me estas verdades, meu coração foi trazido a um estado em que eu podia dizer: não estou apenas contente e ser um martelo, um machado ou um serrote, nãso mãos de Deus; mas também considerarei a maior honra ser usado por Ele de qualquer maneira. E, se pecadores forem salvos por minha instrumentalidade, eu Lhe darei toda a glória, do mais profundo de minha alma. E o Senhor me outorgou a bênção de ver frutos, frutos em abundância: muitos pecadores convertidos. E Deus sempre me tem usado, de uma maneira ou outra, em sua obra. "


Extraído do excelente texto de Gilson dos Santos: George Müller - Inteira dependência e fé na provisão de um Deus gracioso e soberano

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009


João Calvino e “Os Cinco Pontos do Calvinismo”

por

Rev. André do Carmo Silvério



É muito comum se ouvir falar sobre “Os Cinco Pontos do Calvinismo”. Eu mesmo, quando me tornei aluno da classe de catecúmenos, com a finalidade de ser membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, lembro-me de ouvir por várias vezes falar sobre esse assunto. Contudo, meu raciocínio não era outro, senão, o de achar que o autor destes pontos era de fato o próprio reformador do século XVI: João Calvino. Mas somente no Seminário pude ter um contato mais próximo com obras literárias que falavam sobre o assunto, e, desta forma, creio ter sido esclarecido sobre o que realmente vem a ser “Os Cinco Pontos do Calvinismo”.

Portanto, o objetivo deste pequeno artigo é esclarecer de forma simples quem de fato escreveu os chamados “Cinco Pontos do Calvinismo”, por qual razão e porque eles são “cinco pontos” ao invés de sete ou dez. Além disso, procuraremos destacar a sua relevância para a nossa teologia.


1. Autoria

Ao contrário do que muitos pensam, não foi João Calvino quem escreveu “Os Cinco Pontos do Calvinismo”. Talvez algumas pessoas ficarão impressionadas com esta afirmação. No entanto, a magna pergunta que se faz é: Se não foi Calvino, quem foi então? “Estes cinco pontos foram formulados pelo Sínodo de Dort, Sínodo este convocado pelos estados Gerais (da Holanda) e composto por um grupo de 84 Teólogos e 18 representantes seculares, entre esses estavam 27 delegados da Alemanha, Suíça, Inglaterra e outros países da Europa reunidos em 154 Sessões, desde 13 de novembro de 16 18 até maio de 1619” . [1] Portanto, peca por ignorância quem afirma ser João Calvino o autor destes cinco pontos, porque na verdade, a afirmação correta é que estes “pontos” foram fundamentados tão somente nas doutrinas ensinadas por ele. Aliás, este sistema doutrinário, se assim podemos chamá-lo, foi elaborado somente 54 anos após a morte do grande reformador (1509-1564).



2. Razão de sua Escrita

Os Cinco Pontos do Calvinismo foram formulados em resposta a um “documento que ficou conhecido na história como ‘Remonstrance' ou o mesmo que ‘Protesto'”, [2]apresentado ao Estado da Holanda pelos “discípulos do professor de um seminário holandês chamado Jacob Hermann, cujo sobrenome latino era Arminius (1560-1600). Mesmo estando inserido na tradição reformada, Arminius tinha sérias dúvidas quanto à graça soberana de Deus, visto que era simpático aos ensinos de Pelágio e Erasmo, no que se refere à livre vontade do homem”. Este documento formulado pelos discípulos de Arminius tinha como objetivo mudar os símbolos oficiais de doutrinas das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg ), substituindo pelos ensinos do seu mestre. Desta forma, a única razão pela qual Os Cinco Pontos do Calvinismo foram elaborados era a de responder ao documento apresentado pelos discípulos de Arminius.


3. Porque Cinco Pontos?

Este documento formulado pelos alunos de Jacob Arminius tinha como teor cinco principais pontos, conhecidos como “Os Cinco Pontos do Arminianismo”. E como já dissemos logo acima, em resposta a este Cinco Pontos do Arminianismo, o Sínodo de Dort elaborou também o que conhecemos como “Os Cinco Pontos do Calvinismo” ao invés de sete ou dez. Estes pontos do calvinismo são conhecidos mundialmente pela palavra TULIP, um acróstico popular que na língua inglesa significa:

T otal Depravity / Total Depravação
U nconditional / Election Eleição Incondicional
L imited Atonement / Expiação Limitada
I rresistible Grace / Graça Irresistível
P erseverance of Saints / Perseverança dos Santos



4. Os Cinco Pontos do Arminianismo Versus Os Cinco Pontos do Calvinismo.


1. Vontade Livre – O arminianismo diz que a vontade do homem é “livre” para escolher, ou a Palavra de Deus, ou a palavra de Satanás. A salvação, portanto, depende da obra de sua fé.

1. Depravação Total – O calvinismo diz que o homem não regenerado é absolutamente escravo de Satanás, e, por isso, é totalmente incapaz de exercer sua própria vontade livremente (para salvar-se), dependendo, portanto, da obra de Deus, que deve vivificar o homem, antes que este possa crer em Cristo.





2. Eleição Condicional – O arminianismo diz que a “eleição é condicional, ou seja, acredita-se que Deus elegeu àqueles a quem “pré-conheceu”, sabendo que aceitariam a salvação, de modo que o pré-conhecimento [de Deus] estava baseado na condição estabelecida pelo homem.

2. Eleição Incondicional – O calvinismo sustenta que o pré-conhecimento de Deus está baseado no propósito ou no plano de Deus, de modo que a eleição não está baseada em alguma condição imaginária inventada pelo homem, mas resulta da livre vontade do Criador à parte de qualquer obra de fé do homem espiritualmente morto.




3. Expiação Universal – O arminianismo diz que Cristo morreu para salvar não um em particular, porém somente àqueles que exercem sua vontade livre e aceitam o oferecimento de vida eterna. Daí, a morte de Cristo foi um fracasso parcial, uma vez que os que têm volição negativa, isto é, os que não querem aceitar, irão para o inferno.

3. Expiação Limitada – O calvinismo diz que Cristo morreu para salvar pessoas determinadas, que lhe foram dadas pelo Pai desde toda a eternidade. Sua morte, portanto, foi cem por cento bem sucedida, porque todos aqueles pelos quais ele não morreu receberão a “justiça” de Deus, quando forem lançados no inferno.



4. A Graça pode ser Impedida – O arminianismo afirma que, ainda que o Espírito Santo procure levar todos os homens a Cristo (uma vez que Deus ama a toda a humanidade e deseja salvar a todos os homens), ainda assim, como a vontade de Deus está amarrada à vontade do homem, o Espírito [de Deus] pode ser resistido pelo homem, se o homem assim o quiser. Desde que só o homem pode determinar se quer ou não ser salvo, é evidente que Deus, pelo menos, “permite” ao homem obstruir sua santa vontade. Assim, Deus se mostra impotente em face da vontade do homem, de modo que a criatura pode ser como Deus, exatamente como Satanás prometeu a Eva, no jardim [do Éden].

4. Graça Irresistível – O calvinismo entende que a graça de Deus não pode ser obstruída, visto que sua graça é irresistível. Os calvinistas não querem significar com isso que Deus esmaga a vontade obstinada do homem como um gigantesco rolo compressor! A graça irresistível não está baseada na onipotência de Deus, ainda que poderia ser assim, se Deus o quisesse, mas está baseada mais no dom da vida, conhecido como regeneração. Desde que todos os espíritos mortos (= alienados de Deus) são levados a Satanás, o deus dos mortos, e todos os espíritos vivos (= regenerados) são guiados irresistivelmente para Deus (o Deus dos vivos), nosso Senhor, simplesmente, dá a seus escolhidos o Espírito de Vida. No momento que Deus age nos eleitos, a polaridade espiritual deles é mudada: Antes estavam mortos em delitos e pecados, e orientados para Satanás; agora são vivificados em Cristo, e orientados para Deus.



5. O Homem pode Cair da Graça – O arminianismo conclui, muito logicamente, que o homem, sendo salvo por um ato de sua própria vontade livremente exercida, aceitando a Cristo por sua própria decisão, pode também perder-se depois de ter sido salvo, se resolver mudar de atitude para com Cristo, rejeitando-o! (Alguns arminianos acrescentariam que o homem pode perder, subseqüentemente, sua salvação, cometendo algum pecado, uma vez que a teologia arminiana é uma “teologia de obras” – pelo menos no sentido e na extensão em que o homem precisa exercer sua própria vontade para ser salvo). Esta possibilidade de perder-se, depois de ter sido salvo, é chamada de “queda (ou perda) da graça”, pelos seguidores de Arminius. Ainda, se depois de ter sido salva, a pessoa pode perder-se, ela pode tornar-se livremente a Cristo outra vez e, arrependendo-se de seus pecados, “pode ser salva de novo”. Tudo depende de sua continua volição positiva até à morte!

5. Perseverança dos Santos – O calvinismo sustenta muito simplesmente que a salvação, desde que é obra realizada inteiramente pelo Senhor – e que o homem nada tem a fazer antes, absolutamente, “para ser salvo” -, é óbvio que o “permanecer salvo” é, também, obra de Deus, à parte de qualquer bem ou mal que o eleito possa praticar. Os eleitos ‘perseverarão' pela simples razão de que Deus prometeu completar, em nós, a obra que ele começou. Por isso, os cinco pontos de TULIP incluem a Perseverança dos Santos .




5. Considerações Finais

Para inteirar o leitor do todo da história, Spencer nos diz que após o Sínodo de Dort se reunir em 154 Sessões num “completo exame das doutrinas de Arminius e comparar cuidadosamente seus ensinos com os ensinos das Escrituras Sagradas, chegaram à conclusão que os ensinos de Arminius eram heréticos”. [5] “E não somente isto, mas o Concílio impôs censura eclesiástica aos ‘remonstrantes' depondo-os dos seus cargos, e a autoridade civil (governo) os baniu do país por cerca de seis anos”.

Diante disso, creio que a diferença crucial entre o Arminianismo e o Calvinismo se resume na palavra Soberania. Enquanto os calvinistas entendem que Deus opera a salvação na vida do ser-humano conforme a sua livre e soberana vontade, os arminianos salientam que o homem é capaz de por si só querer ou não ser salvo. Se partirmos da premissa que o homem está completamente morto diante de Deus como nos ensina Efésios 2:1, entenderemos porque a salvação depende tão somente da graça e da misericórdia do SENHOR, pois “não depende de quem quer ou quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9:16). Portanto, creio que os objetivos deste artigo foram de fato alcançados, demonstrando assim a verdadeira história dos “Cinco Pontos do Calvinismo”. Que assim, queira o Senhor nosso Deus nos abençoar e nos dar sempre a graça de sermos verdadeiros propagadores da história reformada.